arrebatar o mais difícil dos corações
mas também com as mãos
mas também para partilhar as vivências do dia
A unicidade de cada instante faz com que cada um seja vivido de forma única. Cada dia tem algo parecido com um dia qualquer que já passou, mas ele não deixa de ser único e sendo eu, também, uma construção que se dá nesses instantes vou sendo diferente, mas com memórias. As memórias têm tanta força! Basta o ajeitar do cabelo de uma forma especial, o pronunciar de uma palavra com um certo acento, a melodia de uma determinada língua, uma fotografia de uma cidade, o passar por uma rua, o falar de uma marca de vinho, a cor dos olhos, a intensidade de um olhar, a melodia de uma canção… para que um turbilhão de emoções e sentimentos venham à superfície e te faça sorrir, chorar, ter saudades, renascer, entristecer, sentir impotência, sentir-te forte, sentir-te amado, sentir-te um privilegiado…
Há sonhos que nunca passarão disso mesmo! Serão sempre sonhos, mas elas far-te-ão sentir vivo! Mudarão o teu mundo! Far-te-ão amar e ser amado. Darão sentido a tua vida. Farão de ti melhor pessoa! Far-te-ão cometer muitas asneiras com as quais crescerás… Mas os sonhos têm que existir mesmo que nunca venham a ser realizados.
È nosso dever tentar com que a vida sonhada não nos contenha jovens e que os nossos desejos não sejam mais que recordações…
Se um dia estiveres perante uma grande decisão na tua vida então, deves pensar que caminho escolherias se não tivesses medo?! E é exactamente esse o caminho a percorrer: o caminho que não é influenciado pelo medo.


A ti mulher de físico franzino

Eu sempre soube que não seria fácil viver fora de Cabo Verde deixando para trás a minha família, a base do que sou, os meus amigos. Enfim, seria um romper do convívio com as minhas raízes e as minhas referências para enfrentar um novo mundo, novas gentes com uma cultura diferente. Hoje vejo que estava certo quando pensava que não seria fácil ultrapassar os muitos obstáculos que iriam surgir nessa jornada longe da minha gente, da minha terra, mas que era possível com muita determinação e muito atingir os objectivos a que me iria propor. Devo esse meu acreditar que é possível atingir nossos objectivos à minha mãe que me ensinou que se sonharmos/projectarmos, com muito trabalho alcançamos os nossos objectivos.
Mas, na verdade, se por um lado quando estamos fora do nosso país nos acompanha uma eterna saudade de casa e até sentimos a falta dos cheiros da nossa terra, por outro lado é uma experiência fantástica travar trocas com outras pessoas proporcionando-nos um crescimento pessoal e profissional de um nível superior. O amadurecimento torna-se inevitável, pois és como que obrigado a aprender a viver com a diversidade cultural, algo que só é possível se conseguires praticar a alteridade tornando-te deste modo num sujeito tolerante e desenvolvendo uma visão não quadrada sobre o mundo e os seus acontecimentos sociais, culturais, …
A alteridade surge com naturalidade, uma vez que quando se dá o início do processo de conhecimento de novas gentes e consequentemente novas culturas ficamos munidos de um conhecimento que nos permite compreender melhor as atitudes do outro, pois estamos aptos para nos colocar no lugar do outro e ver as coisas segundo a sua perspectiva.
Eu tive o grande prazer de viver numa residência universitária, durante 6 anos, onde se cruzam pessoas de todos os cantos do mundo e foi uma experiência maravilhosa construir tantas amizades que vão ficar para a vida toda, estas pessoas fazem parte de mim assim como faço parte delas. Eu sou um pouco delas e elas um pouco de mim, Tantas foram as lições de solidariedade que tive! O mais surpreendente é que não importa de onde viemos o que queremos acaba por ser sempre o mesmo, embora os caminhos a percorrer possam vir a não serem necessariamente similares, ser feliz e ver a nossa família feliz.
A todos peço juntem algum dinheiro e viagem porque viajar permite conhecer que por sua vez nos permite crescer e experimentar emoções que fazem a nossa alma arrepiar de tanta paz, felicidade, …, enfim tantas emoções inexplicáveis podes viver basta quereres!
Muitas vezes surpreendo-me a mim mesmo a pensar até que ponto devo acreditar no outro, uma vez que ao acreditar em alguém estamos implicitamente a confiar nele e isso leva-nos a uma certa entrega da nossa pessoa a este. Isto é válido tanto para uma relação de amor, de amizade ou outra qualquer! Posto isto, ou o outro é uma pessoa merecedora de tamanha responsabilidade que lhe entregamos e dá-se inicio a uma relação de partilha com o intuito de avançarmos juntos nesta caminhada de proporcionarmos um ao outro momentos de pura felicidade ou então vê isso como uma fragilidade nossa e se aproveita para satisfazer o seu desejo maléfico ter poder/domínio sobre nós, que de certa forma detém, pois só ficamos decepcionados com quem gostamos e logo acreditamos.
